Como vos contei aqui e aqui, o meu parto não foi a coisa mais simples e rápida do mundo. Foram mais de trinta e cinco horas no hospital porque a Mel não parecia querer sair do ninho. Todas as dores valeram a pena para a ter junto a mim. Todas. O que são um ou dois dias de sofrimento se for para termos os nossos mais que tudo junto a nós durante uma vida inteira? Claro que sempre que me lembro dessas horas no hospital me apetece beber um shot de tequila (ou dois ou três) e esquecer. É normal, acho eu.
Quando a Mel nasceu, tinha um hematoma muito grande na cabeça. Precisaram de usar a ventosa durante o parto e por isso ela ficou com algumas sequelas. Nada grave, explicaram-me que o organismo dela iria absorvê-lo nos dias seguintes.
Dois dias depois do parto, tive alta. Estava tão entusiasmada por ir para casa. Para a nossa casa com a Mel. Apresentá-la ao Artur, ao Ziggy e ao Koy. Mostrar-lhe o quartinho dela. Todas as divisões da casa. Ficar aninhada do sofá com ela e com o Mr. Right. Na nossa casa. Quando me disseram que ela ia ter que ficar no hospital não consegui conter as lágrimas. A Mel estava amarelita, tinha icterícia. Explicaram-nos que é algo comum nos recém-nascidos mas no caso dela se devia também ao hematoma. À medida que o organismo dela absorvia o hematoma, os níveis aumentavam. Teve que fazer fototerapia. Começou com as chamadas "luzinhas" mas depois os valores aumentaram e tiveram que passar para um tratamento mais intensivo. Um aparelho que muito amavelmente trouxeram da Neonatologia e instalaram no quarto, para eu ficar sempre junto dela. De três em três horas fazia uma pausa no tratamento. Eu tinha apenas meia hora para dar-lhe de mamar e mudar-lhe a fralda. E estar com ela. Pouquíssimo tempo para um bebé que está a habituar-se a pegar na mama e para uma recém-mamã que só quer criar laços com o seu bebé.

Por vezes tentava brincar e desanuviar com a situação, a dizer que tão pequenina já estava a preparar-se para o verão com umas sessões de solário. Mas no fundo custou-me muito. Vê-la assim, recém-nascida e tão frágil. Tão pequenina e num aparelho tão grande. Durante o dia fazia-me de forte e enchia-me de esperanças. À noite sentia-me sozinha e impotente e chorava.
Todos os dias picavam-lhe o pezinho para colher sangue para análise. Todos os dias me diziam que tínhamos que ficar mais um dia. Saímos do hospital ao fim de uma semana. Estava muito grata a todos os pediatras, enfermeiros e técnicos que nos acompanharam - acho que ficámos a conhecer toda a equipa - mas estava de-se-jo-sa de ir para casa. Para a nossa casa.
Quem mais já passou pelo mesmo? Custa, não custa?
Rita
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